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domingo, 9 de agosto de 2015

Análise: Dilma encara tempestade perfeita


Segundo especialista em marketing político, presidente mostra postura firme diante de popularidade desastrosa 

Uma tempestade perfeita, formada pela junção de três crises: política, econômica e de credibilidade. É isso o que Dilma Rousseff enfrenta neste momento, quando 71% da população classifica o governo da presidente petista como ruim ou péssimo, segundo a última pesquisa Datafolha. 

A análise é do especialista em marketing político Victor Trujillo, professor da ESPM. “Certamente, quando ela assumiu o segundo mandato e tomou as medidas impopulares (de ajuste fiscal), sua equipe previu que isso iria causar um desgaste na popularidade. O que não estava no horizonte é que essas operações, como a Lava Jato, fossem ter o impacto e a importância que tiveram na população”, afirma. 

“Em paralelo, o agravamento da crise econômica, o desemprego, e tantas notícias ruins ao mesmo tempo. É um cenário que tem muitas variáveis. É uma tempestade perfeita que se formou”, acrescenta. 

Para Trujillo, a situação no momento é muito tensa. “A última vez que um presidente teve uma avaliação tão ruim foi no impeachment do Collor e ela conseguiu superar, negativamente. É um cenário muito ruim, muito preocupante.” 

Para o especialista em marketing político, porém, Dilma mostrou uma postura firme após fazer seu primeiro pronunciamento oficial na TV desde 8 de março, Dia Internacional da Mulher. 

Como naquela data, na quinta-feira ela também foi alvo de um panelaço em diversas cidades brasileiras. Em discurso na manhã da sexta-feira (7), durante evento do programa “Minha Casa, Minha Vida”, Dilma disse que “ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu” e que sabe suportar a pressão. 

“Ela está assegurando para a população que não pretende deixar o governo, por exemplo, renunciando”, analisa. “A leitura que eu faço é que o governo vive uma crise de credibilidade, política – o relacionamento ruim com o Congresso é real – e econômica, mas Dilma está dizendo: não vou abandonar o navio." 



Fonte: BAND

Quadrilha que roubou carro-forte tem arma capaz de parar tanque de guerra




Após assalto, suspeitos interceptaram comboio e 37 presos fugiram em SP. 
Segundo especialista de Ribeirão Preto, armamento tem alto poder destrutivo. 


As armas usadas pela quadrilha que roubou R$ 1 milhão de um carro-forte e matou o motorista do veículo, no interior de São Paulo na sexta-feira (7), seriam capazes de parar tanques de guerra e de abater aeronaves, segundo especialista em armamento. 


Após o assalto, a quadrilha se deparou com um comboio da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), que levava 41 presos de Casa Branca (SP) para Serra Azul (SP). O bando fugiu nos dois veículos do Estado, levando os detentos, que foram libertados momentos depois na Rodovia Abrão Assed. Desses, 37 fugiram. 


Até a tarde deste sábado (8), 22 presos foram recapturados, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Nenhum dos 12 integrantes da quadrilha foi preso. 


'Ação impressionante' 
A ação dos 12 suspeitos da quadrilha impressionou a polícia e especialistas em armas porque, além de capacetes à prova de balas, os assaltantes estavam com metralhadoras ponto 50, de alto poder destrutivo e usadas normalmente em guerras. 
De acordo com o instrutor de tiro Fabiano Rosa da Silva, de Ribeirão Preto (SP), a preparação da quadrilha era incompatível com a dos seguranças que protegiam o carro-forte. 


“O transporte de valor é efetuado normalmente usando armas de curto calibre, como 38, e de calibre longo, como a 12, mas incompatíveis com a ponto 50, muito mais potente e com alto poder destrutivo e de longo alcance”, disse o instrutor. 


De acordo com Silva, o armamento poderia abater aeronaves e atravessaria até três carros-fortes enfileirados, por mais que estivessem blindados. “Numa distância daquela, se enfileirássemos três carros daquele certamente todos eles seriam transfixados”, comentou. 




Tráfico de armas 
Esse tipo de armamento, segundo o especialista, no Brasil é de uso exclusivo das Forças Armadas e pode ter sido adquirido por tráfico. “Só por tráfico de drogas que teriam a possibilidade de ter essas armas na mão”, disse. 
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que desde o início de 2015, mais de 50 armas de uso privativo das Forças Armadas foram apreendidas no Estado de São Paulo e que as polícias Civil e Militar realizam operações de inteligência para combater o tráfico de armamentos. 


“Cabe salientar que, sempre que necessário, a Rota, Batalhão de Ações Especiais de Polícia da PM e Força Tática atuam no interior em apoio às operações. Isso apesar de a fiscalização das fronteiras para coibir o tráfico de armas ser de responsabilidade da União”, informou a nota. 
O caso 
O assalto ao carro-forte ocorreu na SP-338, entre Mococa e Cajuru. Os bandidos usaram três carros, entre eles uma Land Rover com o vidro blindado, adaptado para uso de armas como fuzis. Eles atiraram contra o veículo e mataram o motorista, Wladimir Martinez, de 49 anos. 
Em seguida, os assaltantes usaram dinamite para explodir as portas do blindado. Outros dois vigilantes ficaram feridos. Segundo o tenente coronel, dos dois cofres do carro-forte, apenas um foi levado pela quadrilha. 


Ao tentar a fuga, a quadrilha foi surpreendida por um comboio na Rodovia Abrão Assed (SP-333), que levava 41 presos até Serra Azul. Os policiais atiraram contra os veículos dos suspeitos e conseguiram parar a Land Rover. 
Os assaltantes tomaram a caminhonete S-10 e o caminhão do Estado, onde estavam os presos, e fugiram. Dos 41 presos libertados, 37 aproveitaram para fugir e 4 permaneceram nos veículos. 


'Coincidência' 
O diretor do Deinter-3, João Osinski Júnior, também descartou que os presos tenham sido alvo de um resgate programado. “O que aconteceu foi uma grande coincidência. Esses presos estavam ainda sendo julgados, sendo levados para audiências, e presos que estão envolvidos com furtos, alguns com tráfico [de drogas], ou seja, que não representam alto grau de periculosidade. Nenhum que pudesse ser alvo de resgate. Que fique uma coisa bem clara: foi uma grande coincidência”, afirmou o delegado. 


Segundo a Segurança Pública, as buscas pelos fugitivos seguem neste sábado com apoio de três helicópteros Águia, e a Polícia Civil faz diligências para localizar os suspeitos dos crimes. Uma equipe do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) assessora as investigações.



Fonte: G1

Grêmio humilha o Inter e aplica goleada histórica no Gre-Nal



Tricolor patrolou um Colorado totalmente sem ação na Arena e voltou ao G4 com a vitória 

O Gre-Nal deste domingo, na Arena, escancarou as diferenças entre Grêmio e Inter no atual momento. Ao massacrar por 5 a 0, o time de Roger Machado mostrou que sonha alto no Brasileirão. Abatida com facilidade, a equipe do interino Odair Hellmann deixa claro que perdeu o rumo depois da Libertadores e não pode mais retardar a troca de comando. 

Se a ideia da direção colorada, ao trocar de treinador, era mobilizar o time, o plano fracassou. Muito mais focado, o Grêmio impôs no primeiro tempo uma superioridade que não costuma ser habitual em clássicos. Contra um adversário desnorteado, empilhou situações e só não fez o primeiro gol antes dos 10 minutos pelo pênalti desperdiçado por Douglas. 

Gre-Nal 407: estatísticas, renda e público, veja como foi a partida 

O segredo esteve na velocidade. Inspirado, o quarteto Douglas-Giuliano-Pedro Rocha e Luan desfilou na frente dos estáticos Dourado e Wellington Martins, este visivelmente fora de ritmo. A quatro minutos, Giuliano foi ao fundo e cruzou a Luan, que colocou para fora, em chute rasteiro. Aos oito, Alisson defendeu chute de Pedro Rocha, de fora da área. Na sequência, Pedro Rocha arrematou novamente, Alisson rebateu e, na continuação, derrubou Giuliano. Era a chance, com o pênalti, de o Grêmio saltar na frente, mas Douglas errou a cobrança, com chute para fora. 

Em nova investida de Pedro Rocha pela esquerda, o atacante simulou pênalti e originou um bate-boca entre os jogadores dentro da área. 

Visivelmente sem soluções ofensivas, o Inter só foi assustar a 31 minutos. Sasha cruzou e, antes que Lisandro chutasse, Edinho salvou. Na cobrança do escanteio, Juan cabeceou por cima. 

Quando o Inter conseguiu respirar um pouco, sofreu o primeiro gol. A 34 minutos, Galhardo bateu escanteio da direita, Lisandro afastou mal e Giuliano, de pé esquerdo, fez um belo gol. 

Na tentativa de reação, o Inter avançou com Wellington pela esquerda, mas o chute foi salvo com os pés por Marcelo Grohe. 

A vantagem ficou ainda maior a 43. Erazo avançou pela esquerda, serviu a Luan, que arriscou de longe e acertou o canto direito de Alisson. 

Ainda haveria um cabeceio perigoso de Juan, para nova defesa importante de Grohe. Ficou, par a torcida gremista, a sensação de que 2 a 0 era pouco. 

A troca de Anderson por Alex, no intervalo, nada acrescentou ao Inter. O Grêmio seguiu soberano, acumulando chances e encantando sua torcida. Não demorou a fazer o terceiro. A três minutos, Alisson defendeu para o lado chute de Pedro Rocha e Luan, sem marcação, ampliou. 

Odair ajustou a marcação ao trocar o sumido Anderson por Nilton. Ganhou em qualidade na saída de bola e, na superação, teve a força ofensiva que lhe faltou no primeiro tempo. Esteve perto de descontar em chute potente de Alex, que acertou a trave esquerda. O próprio Nilton arriscou um arremate à longa distância, par fora. 

À vontade, o Grêmio jogava em eventuais erros defensivos do Inter, tirando proveito da velocidade de seus atacantes. E deu certo. A 30 minutos, Fernandinho pegou passe longo de Maicon, driblou Alisson e concluiu para desespero de Réver, que ainda tentou salvar. 

A festa gremista ainda não estava completa. A 38 minutos, Fernandinho escapou pela esquerda, cruzou para o interior da área e Réver mandou contra sua própria meta. 

O 5 a 0 histórico,maior goleada do Brasileirão, um resultado que não se registrava havia 55 anos, mostra que o Grêmio achou o caminho e o Inter custará a reencontrar o seu.

Fonte: DIÁRIO GAÚCHO

Uma nova educação para um novo planeta

Participantes do projeto 'Dedo Verde' discutiram sobre natureza em uma aula de campo

De que serve a educação quando ela nos prepara para um mundo que não existe mais?

Que parte dos conteúdos pedagógicos oferecidos hoje nas escolas e universidades brasileiras consegue responder ao imenso desafio de formar cidadãos preparados para enfrentar a maior crise ambiental da história da humanidade?
 
Não é exagero.
 
A triste realidade é que o analfabetismo ambiental continua produzindo gigantescos estragos na formação de nossos jovens que, não raro, já adultos, vão buscar no mercado cursos complementares que tentam suprir essas lacunas nos currículos. Quem faz esses cursos por aí (alguns deles reconhecidamente sérios como os da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e do Rio, e da Fundação Dom Cabral) costuma reagir com perplexidade ao descobrir como certas informações consideradas básicas jamais haviam sido compartilhadas em sala de aula. E isso tem um custo pessoal e profissional enorme.
 
Todas as profissões, sem exceção, demandam ajustes nas respectivas formações para que saibamos lidar com as "novidades" que surgem nos respectivos mercados. Isso já é sabido e faz parte de um mundo em constante processo de mudança. Mas, em se tratando das questões ambientais, as "novidades" – principalmente aqueles que demandam uma ampla revisão de conceitos, métodos e práticas configurando, na verdade, uma nova cultura – vêm acompanhadas de uma forte reação. Não se trata apenas de mudanças pontuais ou ajustes tecnológicos em um determinado ponto da cadeia. Estamos falando de mudanças estruturais que configuram um novo olhar sobre a realidade que nos cerca.
 
Em resumo: é situar as limitações do planeta no seu radar. É reconhecer que o atual modelo de desenvolvimento (baseado no hiperconsumo e na carbonização acelerada da atmosfera) nos precipita na direção do abismo. É fazer tudo (ou quase tudo) diferente do que vinha fazendo. É qualificar o emprego do tempo e da energia em favor da mais ampla e urgente reengenharia de processos (múltiplos e variados) que o mundo jamais viu.   
 
É uma tarefa hercúlea, porque, em alguma medida, depende do engajamento de todos, mas é inevitável fazê-lo.


Na verdade, muito timidamente, já está sendo feita. Novas profissões – algumas delas nem nome certo têm ainda – surgem a reboque dessa demanda do mercado para reinventar rotinas onde o "business as usual" é visto como ameaça real e mensurável à sobrevivência do negócio. Inovação é a regra. Sustentabilidade é o objetivo. 
 
Com o encerramento do ano letivo, está chegando a hora de programar o que será mantido ou alterado nas grades curriculares das instituições de ensino em 2016, na margem de manobra possível levando em conta os limites impostos pelo Ministério da Educação. Abre-se no calendário escolar uma preciosa janela de oportunidade para aproximar o mundo real das salas de aula.  

Hoje falarei das escolas. 
 
A educação para o consumo consciente é o conteúdo mais urgente – e invisível – nas instituições de ensino públicas e privadas do Brasil. Mesmo quando a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial e outros organismos multilaterais denunciam o consumismo (o hiperconsumo que normatiza o excesso, o desperdício e até a ostentação) como um dos grandes vilões ambientais da atualidade – pela retirada sistemática de recursos naturais não renováveis fundamentais à vida, agravamento do efeito estufa, geração monumental de lixo etc –, há meninos e meninas que passam pela escola sem associar o consumo perdulário à degradação do planeta onde vive. Serão adultos possivelmente infelizes, por acharem que só é possível alcançar a realização pessoal acumulando bens e posses, e certamente engrossarão as fileiras dos inadimplentes ("negativados") se não aprenderem a tempo a evitar as tentações do "crédito fácil" para realizar sonhos de consumo descartáveis e perecíveis.
 
Em meio à avalanche de apelos publicitários dirigidos ao público infantil, com menos restrições do que se verifica na maioria dos países do Hemisfério Norte, os brasileirinhos poderiam se proteger melhor desse bombardeio onde o debate sobre "consumo consciente" for estimulado, inclusive com a participação dos pais ou responsáveis.
       
Recomendamos como fonte para esse ponto específico da reforma na grade curricular a Rede de Aprendizagem e Mobilização de Professores e Alunos para o Consumo Consciente do Instituto Akatu(Edukatu) e o Instituto Alana.
 
O exercício da "pegada ecológica" traz esse assunto para o cotidiano de nossas vidas, medindo os impactos causados pelos hábitos de consumo de cada aluno sobre a capacidade de suporte do planeta. Em resumo: ao responder a um questionário, o software, gratuito e disponível na internet – recomendamos o da organização Global Footprint Network, com perguntas traduzidas para o português – informa automaticamente qual seria o estado do planeta hoje se todos no mundo fossem iguais a você, e o que seria possível fazer para mudar essa situação. Vale a pena dedicar algum tempo para responder a perguntas simples, como "onde mora", "meio de transporte utilizado", “o que costuma comer", "quanto consome de energia elétrica?". O resultado enseja debates invariavelmente instigantes que nos predispõem a entender por que, nesta nave azul chamada "Terra", somos efetivamente "tripulantes" (ativos) e não “passageiros” (passivos).  
 
Mais de um professor já me convidou para conhecer de perto a atividade desenvolvida em sua escola pública ou particular onde já se pratica a reciclagem dos resíduos. Fala-se sobre nossa responsabilidade em relação ao lixo (o que é positivo), mas ignora-se de onde ele vem e por quê. A reciclagem nunca será uma solução em si mesma, mas um paliativo, uma medida importante para reduzir o estoque de resíduos que não merecem ser chamados de "lixo" por terem ainda utilidade e serventia. Lição que precisa vir junto: quanto mais consumimos, mais lixo geramos. E isso tem um custo econômico, social e ambiental.
 
O entendimento que de que a vida se resolve em ciclos interligados e interdependentes – poderíamos chamar a isso de "visão sistêmica" – poderia inspirar atividades ao ar livre onde o centro das atenções fosse uma horta comunitária. A "horta-escola" já foi instituída com sucesso em várias instituições onde as crianças mexem na terra, plantam sementes, cultivam as plantas, participam do preparo dos alimentos que vêm da horta e ainda reaproveitam o lixo orgânico no processo de adubação. Preciosos ensinamentos sobre os ciclos da natureza são eternizados em uma atividade lúdica e particularmente instrutiva nas cidades, onde boa parte das crianças nunca enxerga terra por perto e cultiva uma compreensível aversão por esse elemento básico da natureza, associando-o a algo "sujo". Analfabetismo ambiental dá nisso. 
 
Nesse contexto, é preciso escolher com muito cuidado o destino das visitas guiadas, aquelas excursões que permitem a realização de atividades extraclasse com alguma finalidade pedagógica. Esta é uma oportunidade única para tangibilizar a crise ambiental, aproximá-la sensorialmente dessa juventude, invariavelmente intoxicada pela virtualidade imposta em longas jornadas na internet. É uma aventura emocionante descobrir que essa crise tem cor, cheiro e impressiona a visão. Que tal uma visita a um aterro de lixo? Verificar "in loco" para onde vão os resíduos, como eles são processados, os odores de uma montanha de lixo com mais de 50 metros de altura. Como é importante reconhecer os impactos que esses resíduos causam à natureza e ao orçamento dos municípios!
 
Por que não agendar uma visita a alguma estação de tratamento de água? Lá será possível comparar a água do manancial que entra na estação, invariavelmente poluída, com aquela que sai tratada (transparente, inodora, insípida e segura para o consumo humano). Conhecer os custos crescentes do tratamento, o arsenal de "armas químicas" utilizadas (cloro, algicida, sulfato de alumínio etc) para torná-la potável e a demanda cada vez maior por água limpa nas cidades onde o saneamento básico é, invariavelmente, sofrível.
 
Os parâmetros curriculares do MEC estabelecem que a educação ambiental deve ser aplicada de forma transversal, alcançando todos os professores de todas as disciplinas. Isso só dá resultado onde há planejamento. O ponto de partida é o reconhecimento de como estamos defasados em conteúdos e métodos para alcançar esse objetivo da melhor maneira possível.
 
Que tal fazer algo diferente em 2016?
http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustentavel/post/uma-nova-educacao-para-um-novo-planeta.html

E o "verde", como fica?

E o "verde", como fica?

Izabella Teixeira
Nesta entrevista exclusiva, Izabella Teixeira revela em que momento foi chamada para permanecer no Ministério do Meio Ambiente, quais as prioridades acertadas com a presidente Dilma para os próximos quatro anos, suas expectativas em relação aos novos colegas de primeiro escalão – especialmente Kátia Abreu e Aldo Rebelo – e como vem recebendo as críticas dirigidas a ela pelo movimento ambientalista.

Izabella Teixeira me disse que já havia se programado para dar aulas em 2015 na Universidade de Stanford (EUA) como professora visitante. Mas o projeto teve que ser adiado, segundo ela, por uma "convocação" da presidenta Dilma. No último dia 18 de dezembro, logo após a cerimônia de diplomação, Dilma avisou à Izabella que contava com ela à frente do Ministério do Meio Ambiente por mais quatro anos. Pedido feito, malas desfeitas.  
Sobre os rumores dando conta de que o senador Jorge Vianna (PT-AC) seria o nome preferido de Dilma até que o irmão dele, o governador reeleito do Acre, Tião Vianna, apareceu na lista de políticos denunciados na Operação Lava-Jato, Izabella foi taxativa. "Em nenhum momento isso foi falado comigo. Ela me convidou para darmos sequência àquilo que iniciamos no primeiro mandato, com algumas novas atribuições, como o enfrentamento da crise hídrica e a aprovação do novo marco de acesso a recursos genéticos".
 Um dos raros quadros técnicos do primeiro escalão do governo, Izabella não representa nenhum partido político e aparece no seleto grupo de mulheres (apenas seis) que figuram na foto oficial do ministério de Dilma neste segundo mandato, dividindo espaço com 33 homens.
E é justamente neste núcleo feminino da Esplanada que a presidenta reuniu duas protagonistas de uma antiga batalha política que vem sendo travada há anos. 
Agora, Izabella Teixeira e Kátia Abreu pertencem ao mesmo time. A nova ministra da Agricultura – principal liderança do agronegócio no Brasil – foi uma das principais defensoras do novo Código Florestal (cujo texto final desagradou amplos segmentos do ambientalismo brasileiro). Kátia Abreu também vem apoiando a mudança constitucional que prevê a transferência do Poder Executivo para o Congresso Nacional (onde a bancada ruralista é forte) da responsabilidade por novas demarcações de terras indígenas e Unidades de Conservação. Esses não são os únicos pontos divergentes entre ela e Izabella Teixeira. Guerra à vista? Não necessariamente.    
 "Eu já conversei com a ministra Kátia Abreu. Estarei na cerimônia de posse dela. Nós nos falamos na cerimônia de posse da presidenta Dilma e combinamos de nos reunir para acertarmos uma agenda de trabalho comum. Kátia Abreu também considera prioridade a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e me disse que deseja modernizar a legislação que rege a recuperação florestal."
Outro colega de primeiro escalão com quem Izabella Teixeira conversou no dia da posse, foi Aldo Rebelo, da Ciência, Tecnologia e Inovação. Relator do Código Florestal – a quem dedicou aos "agricultores brasileiros" – Aldo foi criticado por ambientalistas e cientistas de apresentar um texto desprovido de embasamento científico e sem o aval de importantes instituições referenciais para o setor, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Agência Nacional de Águas (ANA).
A impopularidade de Aldo Rebelo junto aos ambientalistas alcançou um ponto crítico em 2011 com a publicação de um texto, assinado por ele, intitulado “A trapaça ambiental”. Nele, afirmou que "o chamado movimento ambientalista internacional nada mais é, em sua essência geopolítica, que uma cabeça de ponte do imperialismo.” Ao comentar o agravamento do efeito estufa, foi taxativo: "Não há comprovação científica das projeções do aquecimento global, e muito menos de que ele estaria ocorrendo por ação do homem e não por causa de fenômenos da natureza", opinião que contraria frontalmente a posição histórica do Brasil nas negociações do clima.
O ministro do PC do B acaba de assumir um ministério que vem subsidiando o governo brasileiro com informações estratégicas nas negociações climáticas patrocinadas pela ONU e que buscam a redução imediata das emissões de gases estufa. Negociações em que Izabella é liderança ativa. E agora? Para que lado vamos?
 "Aldo Rebelo manifestou interesse em conversar comigo sobre a agenda do clima e os assuntos da biodiversidade. É bom lembrar que foi a própria presidenta Dilma quem destacou o protagonismo do Brasil nas negociações climáticas e que esse é um tema prioritário deste mandato. É uma ação articulada de governo onde estamos todos envolvidos", ressaltou a ministra do Meio Ambiente.     
 Ao ser convidada por Dilma para permanecer no cargo, Izabella ouviu da presidenta a lista de prioridades na área ambiental. A posição brasileira na COP 21 – a Conferência do Clima que acontecerá em dezembro deste ano em Paris – é uma delas. A expectativa é a de que o encontro estabeleça novas metas e prazos para que todos os países – exceto aqueles mais pobres – reduzam suas emissões de gases estufa. O Brasil promoverá consultas públicas antes de fechar uma proposta.
 Outra prioridade é a implementação do Código Florestal, especialmente a conclusão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que hoje, segundo o governo, alcança 130 milhões de hectares dos 329 milhões de hectares possíveis. Para que os proprietários de terra sejam cobrados em relação ao cumprimento das regras de proteção ambiental, é preciso conhecer a real situação de cada propriedade. Quem também procurou Izabella (na mesma cerimônia de posse de Dilma) para unir forças na conclusão do CAR foi o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.
 Aperfeiçoar o licenciamento ambiental é outra meta para os próximos quatro anos. O assunto incomoda aos ambientalistas, que temem a flexibilização dos atuais protocolos em favor dos interesses econômicos.
 Em relação a esse ponto, Izabella lembra que a maioria absoluta dos licenciamentos hoje é oferecida pelos Estados (no caso das obras do PAC, 82% dos licenciamentos são estaduais) e diz que o Ibama se modernizou e virou referência. Segundo ela, o órgão conta hoje com 400 funcionários concursados para cuidar dos licenciamentos federais em uma estrutura mais ágil e informatizada. "Precisamos avançar nessa agenda. Não é possível, por exemplo, encomendar um novo estudo de impacto ambiental a cada dragagem de porto. Pode-se licenciar em blocos, como já se faz nas unidades de exploração de petróleo, sem nenhum prejuízo ambiental". 
Outra questão importante, segundo ela, é “acabar com o desmatamento ilegal em todos os biomas, e não apenas na Amazônia". Izabella garante que não faltarão recursos para isso, mesmo sabendo que 2015 será um ano de severas restrições orçamentárias para todo o governo. “Não sei de quanto será o corte, mas nunca faltou dinheiro para fiscalização e combate ao desmatamento. Quando assumi o Ministério, o orçamento era de 560 milhões de reais por ano . Hoje é de aproximadamente 1,1 bilhão”.
Izabella lembra que conhece o atual dono do cofre – leia-se, Joaquim Levy, novo todo-poderoso do Ministério da Fazenda – desde que os dois participaram do governo Sérgio Cabral (ele na Secretaria de Fazenda, ela na Secretaria do Ambiente). Vem de lá uma afinidade em relação aos assuntos ambientais, muito por conta da militância da mulher de Levy, Denise, a ambientalista da família, que trabalha no BID e mora em Washington. 
Sem ser política profissional – portanto, desamparada dos "apadrinhamentos" que aceleram processos e abrem caminhos nas redes de interesses que orbitam o Poder Central – Izabella Teixeira desenvolveu seus próprios métodos para tentar fugir do ostracismo em pleno exercício do cargo. "O importante é o diálogo, não se isolar e definir pautas comuns entre os ministérios", diz ela, reconhecendo que é preciso comunicar melhor o dia-a-dia do seu ministério junto à sociedade.       
Para Izabella, as fortes críticas dirigidas ao primeiro mandato da presidenta Dilma na área ambiental – principalmente as que partem das próprias organizações ambientalistas – não levariam em consideração um numeroso pacote de realizações que ela enumera, sem disfarçar uma certa indignação. Um dos assuntos mais controversos, por exemplo, é a taxa de desmatamento da Amazônia.  "Registramos as quatro menores taxas de desmatamento da Amazônia. Realizamos mudanças importantes nos mecanismos de fiscalização e controle em parcerias com o Ministério da Ciência e Tecnologia e o INPE”.
 Sobre as críticas de que Dilma foi a chefe de Estado que menos criou Unidades de Conservação (UCs) desde os governos militares, Izabella defende as novas diretrizes adotadas pelo governo. “Criar Unidades de Conservação em áreas onde existam conflitos fundiários não adianta. É preciso regularizar a situação primeiro. A propósito, nos últimos quatro anos, nenhum governador da Amazônia criou novas UCs. E ninguém menciona isso. Implementamos planos de manejo em 60 dessas unidades, mais do que foi feito nos oito anos de governo Lula”.
A maioria das medidas citadas na entrevista – não reproduziremos todas neste espaço – não teve visibilidade nem repercussão. O que não quer dizer que não sejam importantes. Na lista de Izabella não aparece, talvez por modéstia, a contribuição efetiva da delegação brasileira (chefiada por ela) para que o mundo alcançasse depois de 18 anos de negociações o Protocolo de Nagoya – o mais importante acordo ambiental internacional desde o Protocolo de Kioto – que versa sobre as regras de uso e proteção da biodiversidade. Também não mencionou a conquista do Prêmio Campeões da Terra, que lhe foi oferecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), na categoria “liderança política”, pelos “esforços bem sucedidos em reverter o desmatamento da Amazônia”.
Leal a Dilma, Izabella sabe que o governo não entende a sustentabilidade como “eixo matricial das políticas públicas”, conforme tem defendido há décadas o colega e amigo jornalista Washington Novaes. Sabe também que boa parte de seus colegas de primeiro escalão – a maioria absoluta, vá lá – ainda vive, pensa e age como se não experimentássemos uma crise ambiental sem precedentes na história da Humanidade. E aí, o que fazer?
 A ex-ministra Marina Silva pediu demissão alegando que perderia o pescoço, mas não o juízo.
O ex-ministro Carlos Minc bateu boca em público com mais de um ministro que lhe deixou “verde” de raiva pelo atropelamento das mais básicas cartilhas ambientais.

http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustentavel/post/e-o-verde-como-fica.html

O que Dilma não disse, mas poderia falar sobre a crise hídrica

O que Dilma não disse, mas poderia falar sobre a crise hídrica

"Minhas amigas e meus amigos,

Como se sabe, o Brasil vem enfrentando uma das piores estiagens de sua história, especialmente na região Sudeste, a mais rica e populosa do país.


Acompanhamos de perto a evolução dos acontecimentos nos estados e municípios castigados pela seca, sempre respeitando a autonomia federativa que confere a governadores e prefeitos, dependendo da localidade, a gestão dos recursos hídricos. 

De nossa parte, monitoramos a situação dos rios federais que atravessam mais de um estado, como é o caso do Paraíba do Sul, que corta os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 

Apesar de o país dispor de uma Lei Nacional de Recursos Hídricos, da Agência Nacional de Águas, dos Comitês de Bacias Hidrográficas e de outros instrumentos de gestão e governança, este governo entende que é preciso fazer mais. Nesse sentido, a atual crise hídrica representa uma excelente oportunidade para avançarmos ainda mais na direção de um modelo mais inteligente e eficiente de gerenciamento de recursos hídricos.

Decidimos, portanto, tomar as seguintes providências:

- Estou instituindo um Conselho de Notáveis com os mais prestigiados hidrologistas, cientistas e representantes das mais importantes instituições de pesquisa e universidades brasileiras (com pessoas de todos os estados) para que possam instruir o governo sobre como tornar o Brasil não apenas o país com o maior volume de água doce superficial de rio do mundo, mas também o mais eficiente no uso dessa água. Nosso compromisso é o de ampliar este debate com consultas públicas e trabalhar pela implementação das medidas sugeridas ainda este ano. 

- Instruí o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, a convocar representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Agência Nacional de Águas (ANA) para que reapresentem as críticas formuladas por essas instituições contra o novo Código Florestal, no que se refere aos riscos que ele representaria às bacias hidrográficas. Em se confirmando que as alterações aprovadas pelo Congresso no texto original dessa lei carecem de estudos devidamente embasados sobre o seu impacto na resiliência dessas bacias, meu compromisso é o de mobilizar todos os esforços possíveis no sentido de reabrir o debate e, se for o caso, defender uma nova mudança na legislação.

- Ordenei ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que apresente no prazo de uma semana propostas de novos estímulos fiscais a produtos e serviços que promovam a drástica redução do consumo de água e energia nos mais diversos setores da economia. É preciso elevar os parâmetros já existentes e apoiar quem já investe em inovação.

- Determinei à ministra da Agricultura Kátia Abreu que realize um amplo levantamento das técnicas mais eficientes no uso de água pelo setor agrícola. Aproximadamente 70% das águas doces em nosso país são usadas nas lavouras, nem sempre com o devido cuidado ou orientação. O Brasil não pode continuar promovendo o uso perdulário de água nas irrigações com a utilização de pivô central, aspersores ou culturas de inundação, para citar apenas alguns exemplos de técnicas que já estão sendo abandonadas em muitos países. Há muito o que se avançar neste setor e pretendo ainda neste governo condicionar a concessão de crédito agrícola à eficiência no consumo de água no campo.

- Encomendei ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, um estudo identificando quais os empreendimentos que mais consomem energia elétrica hoje no país. Nossa intenção é condicionar a liberação de recursos públicos, via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou outros órgãos de fomento públicos, à apresentação de planos que confirmem a disposição desses setores em serem exemplos de eficiência e inovação. 

- Declaro que este governo apoiará ostensivamente a ampla disseminação da água de reúso em todo o território nacional. Instruí o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, a realizar os esforços necessários para a tão esperada regulamentação técnica da água de reúso, definindo seus parâmetros e características para que não haja mais nenhuma hesitação do mercado em investir nessa direção. Queremos apoiar todas as atividades que utilizem água de reúso em suas rotinas. 

- É nosso desejo que todas as companhias públicas ou privadas de água e esgoto no país sejam mais eficientes. Não é possível que registremos em média 37% de perdas de água potável nas redes, desperdiçando preciosos recursos públicos. Para estimular a maior eficiência do setor, pretendemos condicionar a liberação de recursos federais à redução dessas perdas no sistema. Acertaremos caso a caso quais são as metas possíveis e aplicaremos as novas regras de financiamento.

- Este governo deverá encaminhar ao Congresso, logo após a votação para a Presidência da Câmara e do Senado, um projeto de lei determinando a criação de linhas especiais de crédito para todas as construções que sejam comprovadamente eficientes no consumo de água e energia elétrica, e que possuam certificações reconhecidas internacionalmente.

Encerro meu pronunciamento reconhecendo que esta terrível estiagem nos estimula a sermos ainda mais propositivos na Conferência do Clima, que terá lugar em dezembro em Paris. Infelizmente, ao que tudo indica, eventos extremos como esse poderão ser tornar cada vez mais frequentes em função das mudanças climáticas. Mas é meu dever, enquanto Chefe de Estado da maior potência "mega biodiversa" do planeta, preparar o país para qualquer um dos cenários previstos pelos cientistas. Sinto-me pronta para esta missão. 

Convoco todos os brasileiros a unirem forças em favor das nossas águas – o bem mais precioso e indispensável à vida, sem o qual nenhuma atividade humana é possível – que a natureza generosamente nos proporcionou e que mantêm o Brasil em condição ainda invejável perante o mundo neste século XXI.
http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustentavel/post/o-que-dilma-nao-disse-mas-poderia-falar-sobre-crise-hidrica.html

Uma Encíclica para mudar o mundo:

O papa Francisco sai após participar da abertura da Conferência Episcopal Italiana no Vaticano
O primeiro Papa "Francisco" da História da Igreja fez valer a homenagem prestada ao poverello de Assis quando escolheu este nome para sinalizar os novos rumos da instituição sob sua liderança.

Após sucessivos abalos sísmicos na Cúria causados pelo rigor sem precedentes no julgamento dos padres pedófilos, à faxina no Banco do Vaticano, ao gesto de acolhimento dirigido aos homossexuais, entre outras situações que desagradaram alguns representantes da ala mais conservadora da Igreja, o Papa que veio "do fim do mundo" - como disse o Cardeal Bergoglio em seu primeiro pronunciamento como Sumo Pontífice - lançou uma encíclica que já entra para a História como um dos mais importantes manifestos em favor da vida em todas as suas formas e resoluções.
"Laudato si ("Louvado Sejas" em italiano, expressão que abre o "Cântico das Criaturas" que Francisco de Assis escreveu 8 séculos atrás) sobre o cuidado com a nossa casa comum" resume em 192 páginas os mais importantes desafios da Humanidade num mundo onde a espécie-líder, topo da cadeia evolutiva, "feita à imagem e semelhança de Deus", vem a ser a principal responsável pela avassaladora onda de destruição dos recursos que sustentam a vida, e a própria Humanidade.
O Papa explicita "a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta ", num mundo onde o modelo de desenvolvimento concentra renda, polui o ar e as águas, agrava o efeito estufa e reduz a qualidade de vida das atuais gerações e, principalmente, das gerações futuras. Em resumo: o modelo vigente castiga o planeta e agrava a exclusão.
"É preciso sentir novamente que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos", diz Francisco. Ele declara "o clima como um bem comum", defende a substituição dos combustíveis fósseis por fontes limpas e renováveis de energia, e denuncia como conseqüência do agravamento do efeito estufa as migrações em massa dos chamados refugiados ambientais. Essa parte da Encíclica ("Poluição e Mudanças Climáticas") abre o primeiro capítulo do documento e exorta os países que participarão da COP 21 em dezembro, em Paris, a buscarem um acordo climático com determinação e comprometimento. É nutriente moral na veia dos diplomatas.
No capítulo da água, o Papa lembra que a poluição, o desperdício, a má gestão dos recursos hídricos e a apropriação da água por grupos privados ameaçam a Humanidade e expõem os países a conflitos ainda neste século se os cenários de escassez - com impactos diretos sobre os custos dos alimentos - não forem enfrentados com seriedade. Para quem vive no Brasil, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste, a mensagem faz todo o sentido. “Volume morto” é um dos resultados práticos de uma situação que não deveria ser atribuída apenas a circunstâncias climáticas.   
O Papa compartilha dados preocupantes sobre a maior onda de destruição da biodiversidade já registrada. Denuncia o desaparecimento de pássaros e insetos pelo uso intensivo de agrotóxicos, sem que os agricultores se dêem conta de que esses pássaros e insetos são úteis às lavouras. Menciona explicitamente a Amazônia como uma das áreas que precisam ser protegidas, e critica as propostas de internacionalização do maior bioma brasileiro, "que só servem aos interesses econômicos das corporações internacionais".
Vale lembrar que o Congresso Nacional - o mesmo que aprovou um polêmico e desastrado Código Florestal - quer retirar do governo a prerrogativa de definir quais áreas verdes ou reservas indígenas merecem ser protegidas. Há muitos motivos para acreditar que a maior floresta tropical úmida do mundo poderá ficar ainda mais exposta à devastação do que se verifica hoje em dia se essa medida for aprovada. Valei-nos Francisco!
A Encíclica também aborda a situação deplorável do berço da vida. "Quem transformou o maravilhoso mundo marinho em cemitérios subaquáticos despojados de vida e de cor?", pergunta Francisco, defendendo mais investimentos em pesquisas e responsabilidades compartilhadas entre os países na proteção dos oceanos, que abrigam a maior parte dos seres vivos.
E o meio ambiente nas cidades? A urbanização acelerada e caótica que obriga a maior parte das pessoas a viver "cada vez mais submersas de cimento, asfalto, vidro e metais, privados do contato físico com a natureza" preocupa o Papa. A cultura consumista é atacada duramente na Encíclica por agravar os danos ambientais e aumentar o desperdício. Francisco menciona a "dívida ecológica" entre o Norte e o Sul, por conta da acelerada degradação socioambiental dos países periféricos que sustentam de forma degradante o estilo de vida e os padrões de consumo dos mais ricos.
Sobrou também para os políticos. "Preocupa a fraqueza da reação política internacional", reclama Francisco, que abre generoso espaço para denunciar os riscos do desenvolvimento tecnológico sem ética ou bom senso, sofisticando os instrumentos de dominação e manipulação. Ao defender uma "corajosa revolução cultural", o chefe da Igreja convida a todos – católicos e não católicos – ao exercício da visão sistêmica, que nos revela um mundo interligado e interdependente, onde a fragmentação do saber e do conhecimento nos afastam da verdade das coisas.
No capítulo "Ecologia Integral", o texto assinado por Francisco busca a grande síntese, os caminhos para alcançarmos o bem comum, onde a ética, a justiça e a paz se sobreponham a desigualdade, ao preconceito e à intolerância. "Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?” pergunta. Abre-se espaço para questões filosóficas essenciais cujas respostas poderiam conter o movimento de manada que hoje atormenta parcela significativa da Humanidade."Com que finalidade passamos por este mundo? Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos?".
Reforçando a fama de metódico (que costuma perseguir os jesuítas), o Papa aponta na Encíclica "algumas linhas de orientação e ação". Indica com precisão cirúrgica a distância que ainda separa o discurso da prática, relembra promessas não cumpridas, os interesses mesquinhos dos países mais ricos em vários encontros internacionais organizados para resolver problemas ambientais, as armadilhas embutidas em certas "soluções diplomáticas", o fardo imposto pela visão de curto prazo onde prevalecem os interesses imediatistas e etc. Apesar dos problemas, Francisco reconhece avanços importantes sacramentados em vários acordos e tratados. Percebe-se que o mundo avança. Mas tão lentamente que as poucas conquistas não são suficientes para anular os riscos de um colapso global.
Dentre todas as ordens religiosas, a dos jesuítas é conhecida pela afinidade com as tarefas associadas ao desenvolvimento intelectual e à gestão de instituições de ensino. Talvez por isso, o Papa encerre sua Encíclica - a primeira totalmente sob sua responsabilidade, e a primeira da Igreja com esse viés ecológico - com o capítulo que versa sobre "educação e espiritualidade ecológicas".
Cita a Carta da Terra,  fala de educação ambiental, cidadania ecológica, e exorta os cristãos a uma "conversão ecológica". Diz Francisco: "Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa".
Os mais próximos do Papa afirmam que foi ele próprio o redator da Encíclica, embora tenha contado com a preciosa ajuda de muitos auxiliares do meio acadêmico e científico. Nesta despretensiosa resenha de um documento de 192 páginas, não poderia omitir a sensação clara que tive, enquanto leitor, de que a Encíclica resume uma saudável angústia. Francisco não se omitiu. Fez o que estava ao seu alcance. É definitivamente um homem à altura do seu tempo, do seu cargo, e do discurso que vocaliza em favor de um mundo melhor e mais justo.

Ao honrar os princípios do Franciscanismo, promove no século XXI o mesmo convite à ruptura do modelo vigente que o poverello de Assis realizou no século XIII. O novo Cântico das Criaturas é tão inspirador quanto o original. Sejamos, portanto, aliados da "mãe Terra", nos integrando à maravilhosa comunidade dos seres viventes. É o convite que nos faz a Encíclica.
http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustentavel/post/uma-enciclica-para-mudar-o-mundo.html

A maior vitória do cicloativismo

A MAIOR VITÓRIA DO CICLOATIVISMO

Eu estive lá para ver de perto, e devo dizer que foi emocionante.

Moro e trabalho no Rio de Janeiro, cidade que hoje detém a maior malha cicloviária do continente.
Mas devo dizer que nenhuma inauguração de trecho de ciclovia no Rio chegou perto do que vi acontecer ontem na Avenida Paulista.
Foi a maior conquista do cicloativismo até hoje no Brasil, celebrada no coração da cidade mais motorizada do país.
Uma pressão que veio debaixo pra cima, mobilizando diversos segmentos sociais em favor de um outro projeto de cidade. Perdoe-me quem acha que a vitória é da atual Prefeitura de São Paulo, mas essa luta vem de longe e seus heróis não se arriscaram nas ruas por afinidades político-partidárias.
A MAIOR VITÓRIA DO CICLOATIVISMO
Foi um movimento espontâneo e sincero de gente que insistiu em pedalar pela cidade – sendo hostilizada, ridicularizada, humilhada – sem nenhuma ciclovia ou ciclofaixa, só para exercer, a seu modo, o legítimo direito de ir e vir. Foi assim também em muitos outros lugares do mundo, onde os projetos cicloviários foram antecedidos por muitos acidentes e mortes.

Gente que transformou a dor da perda de um ciclista atropelado (e foram vários) em um novo gênero de funeral com diretivo a bicicleta pendurada em poste. E isso não passou despercebido.
Gente que viralizou na internet a "causa das bicicletas", conquistando corações e mentes de quem sequer anda de bicicleta. Que seduziu as grandes empresas de tecnologia a ofertarem aplicativos que tornaram os deslocamentos de bicicleta mais inteligentes e seguros.
Gente que foi percebida pelo radar dos maiores bancos privados do país. Um banco (Itaú) instalou a primeira rede de bicicletas públicas do país no Rio de Janeiro e levou a experiência para outras capitais (com custo zero para as Prefeituras e pagamento de royalties para o município). Outro banco (Bradesco) já quer ter sua imagem associada aos 400 Km de ciclovias previstos para São Paulo até o ano que vem.
São bem-vindas todas as críticas quanto ao custo das ciclovias, traçados eventualmente mal planejados e acabamento infeliz das obras. Democracia sem transparência não funciona. Que se investigue, apure e, se for o caso, que se corrija e se puna.
Mas nada tira o brilho da justa conquista dos ciclistas.
A MAIOR VITÓRIA DO CICLOATIVISMO
Misturados à multidão, encontrei domingo na Paulista alguns aguerridos amigos que vem lutando há muitos anos pelo entendimento de que a bicicleta deve ser entendida como um modal de transporte. E que o ciclista também deve ser cobrado para seguir à risca as leis do trânsito, não transferindo para os pedestres a pressão que sofre dos motoristas.


A eles, e principalmente aos que já partiram sem ter visto um dos principais cartões postais de São Paulo com pistas exclusivas para bicicletas, dedico essas linhas.
Fotos: André Trigueiro
http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustentavel/post/maior-vitoria-do-cicloativismo.html