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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Abolição: Alforriados, negros ainda foram explorados como escravos

No século 19, entre os anos 1830 e 1888, os escravos compravam o direito à liberdade com o próprio trabalho, o que tornava precária a entrada de negros no mundo dos homens livres, e fazia perdurar o domínio senhorial. Sem recursos para pagar aos senhores a indenização exigida para a liberdade, os escravos contraíam dívidas com terceiros, e os pagavam por intermédio de contratos de locação de serviço.
Estes contratos significavam, em muitos casos, um prolongamento da exploração do trabalho, uma vez que os libertos ainda eram submetidos a condições similares à escravidão.
A historiadora Marília Ariza analisou contratos de locação de serviço registrados, entre os anos de 1830 e 1888, no Primeiro Cartório de Notas de São Paulo, e no Primeiro Tabelionato de Notas de Campinas — entre 1830 e 1888 — e sua relação com a luta dos escravos em processo de alforria.
A dissertação de mestrado "O ofício da liberdade: contratos de locação de serviços e trabalhadores libertandos em São Paulo e Campinas (1830 – 1888)" mostra a complexidade do período final da escravidão no Brasil, quando nem sempre ser um homem livre significava ter acesso à liberdade.
Segundo a historiadora, a possibilidade de compra de alforria pelos escravos existia antes dos contratos de locação de serviços. No entanto, estes escravos dependiam do acúmulo de pecúlio, economias conseguidas com trabalhos extras, para juntar o valor exigido pelos senhores para a libertação.
Embora o acúmulo de pecúlio fosse uma prática recorrente, incorporada pelos escravos como um direito, os senhores, frequentemente, não tinham interesse na redução do número de seus escravos, e não autorizavam qualquer outro tipo de atividade que os possibilitasse ganhar dinheiro e pagar por sua liberdade. Mesmo que pudessem juntar economias de outras formas, o alto valor das alforrias também poderia impedir a liberdade a curto prazo.
Como alternativa a este cenário, muitos escravos recorriam ao pagamento de alforrias por meio de seus próprios serviços. O sujeito contraía um empréstimo com terceiros para comprar sua alforria. Uma vez que não tinha outros recursos para arcar com o valor da dívida, fazia contratos de locação de serviço com seu credor.
Os serviços e as condições de trabalho, no entanto, mudavam muito pouco. Os contratos os obrigavam a levar um cotidiano semelhante à antiga condição escrava. Tanto a duração do contrato, que poderia ser de alguns anos, quanto as atividades laborais, e até mesmo as penas para aqueles que descumprissem alguma cláusula dos contratos, eram resultado de negociações entre libertandos e credores. As condições dessa negociação, entretanto, poderiam ser muito desiguais e desfavoráveis para os recém-libertos.

Dia 13 de maio - Abolição da Escravatura14 fotos

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A Lei Áurea, sancionada pela princesa Isabel a 13 de maio de 1888, foi o resultado de uma batalha legislativa iniciada na década de 1870. Isabel enfrentou a resistência dos representantes dos proprietários de escravos para levar o projeto de lei à votação. "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono", disse-lhe um parlamentar, após a aprovação da lei Leia mais CPDOC-FGV
Trabalho barato
O principal objetivo dos contratos de locação de serviço era o agenciamento de trabalhadores livres a um baixo custo. Pessoas livres e pobres também locavam seus trabalhos. Contudo, no caso dos libertandos, o custo do trabalho contratado era ainda mais baixo. O desejo de abandonar a escravidão fazia com que estes trabalhadores acabassem concordando, ao menos formalmente, com condições de trabalho desvantajosas. Contrariados, muitas vezes eles contestavam estes contratos na justiça e se recusavam a cumpri-los, denunciando o domínio excessivo de seus credores.
Contudo, a intervenção do Estado sobre as relações trabalhistas era muito pequena até as décadas finais do século 19. Os contratos de locação de trabalho acabaram funcionando como uma espécie de acomodação de conflitos gerados pelo sistema escravista. Pareciam uma possibilidade concreta de os escravos conseguirem a liberdade. Mas, de fato, perpetuavam as relações de poder da sociedade escravista.
Liberdade: um conjunto de experiências
Para Marília, tornar-se livre por intermédio um pagamento, obrigava estas pessoas a entrar no mundo da liberdade completamente pobres, e ainda sujeitas a exploração. Se na teoria, a liberdade significa ter autonomia para circular de um lugar para outro e tomar suas próprias decisões, estas pessoas ainda não eram completamente livres.
Segundo a historiadora, todo este histórico de dificuldades e condições de subcidadania oferecidas aos libertandos tem reflexos na nossa atual realidade social. Para ela, a recente discussão acerca de cotas raciais nas universidades, por exemplo, é muito importante, pois está relacionada à reparação de desigualdades em parte herdadas da escravidão e das experiências de vida destes recém-libertos.
“A liberdade precisa ser entendida como um conjunto de experiências vividas”, reflete. “Mesmo para aqueles que se tornavam formalmente livres, seu universo de expectativas e direitos era muito desigual quando comparado a outros setores da população”, afirma a historiadora. E conclui: “As cotas podem ser um grande instrumento para a justiça social. A luta hoje diz respeito à ampliação dos direitos à cidadania para os negros, e a distribuição injusta destes direitos tem raízes históricas fincadas na escravidão.”
Marcel Vincenti/UOL

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O longo tempo de escravidão deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Até hoje, a população negra tem salários mais baixos, na média, e piores condições de vida do que a população branca. Teste seus conhecimentos sobre o tema
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/alforriados-negros-ainda-foram-explorados-como-escravos.htm#fotoNav=2

Sistema urinário: Conjunto de órgãos filtra o sangue e elimina toxinas

Concepção artística do sistema urinário e da anatomia do rim. Os tamanhos e a posição dos elementos foram alterados por motivos didáticos e podem não corresponder exatamente à realidade.
  • Concepção artística do sistema urinário e da anatomia do rim. Os tamanhos e a posição dos elementos foram alterados por motivos didáticos e podem não corresponder exatamente à realidade.
O sistema urinário é um conjunto de órgãos responsável pela filtração do sangue. Entre suas funções estão o controle da quantidade de líquidos no organismo (equilíbrio hídrico) e a eliminação, através da urina, de substâncias tóxicas (excretas) ou em excesso.
Em humanos, o sistema urinário é formado por um par de rins, um par de ureteres, pela bexiga e pela uretra.
Os rins são os órgãos responsáveis pela filtração do sangue. Eles se situam na região dorsal do corpo e possuem uma forma similar a de um grão de feijão (mas, é claro, em tamanho bem maior).
Cada rim é formado por milhares de pequenas unidades filtradoras chamadas denéfrons. O néfron é uma estrutura tubular que se inicia numa porção dilatada denominada cápsula de Bowman. No interior da cápsula de Bowman existe uma rede de pequenos capilares que formam o glomérulo de Malpighi. Os capilares do glomérulo desembocam em um duto coletor que recolhe as substâncias filtradas. Esses dutos se ligam a outros canais, formando estruturas maiores, que acabam por formar um duto único, chamado de ureter.
Agora que já conhecemos a estrutura dos rins, vamos ver qual é o caminho do sangue através desses órgãos. O sangue chega ao rim através das artérias renais e segue através de uma série de arteríolas até o glomérulo de Malpighi.
No interior do glomérulo, o sangue é submetido a uma forte pressão, que força a passagem de substâncias dissolvidas no plasma sanguíneo para o interior da cápsula de Bowman. Entre essas substâncias, podemos citar a água, a ureia, pequenas moléculas de sais, glicose e aminoácidos. As proteínas, por serem moléculas grandes, não conseguem passar através da parede dos glomérulos. A esse conjunto de substâncias filtradas é dado o nome de urina primária ou filtrado glomerular.
O filtrado glomerular segue por uma série de alças e dutos até atingir o duto coletor. Durante esse percurso, parte da água e algumas substâncias importantes, como, por exemplo, vitaminas e sais minerais, são reabsorvidos e voltam para a circulação sanguínea. O sangue filtrado deixa o rim através da veia renal.
O produto resultante após a filtração e reabsorção é chamado de urina. A urina deixa os néfrons através dos dutos coletores e chega ao ureter. O ureter leva a urina até a bexiga urinária. A bexiga é um órgão elástico que armazena a urina até ela ser eliminada. Da bexiga parte um canal, chamado uretra, que transporta a urina da bexiga para o meio externo.

Controle da reabsorção de água

Uma das funções do sistema urinário é manter o equilíbrio hídrico do organismo. Ou seja, eliminar ou reabsorver líquidos de acordo com a concentração destes na circulação sanguínea.
Esse controle é realizado por um hormônio chamado de hormônio anti-diuréticoou ADH (sigla para o termo em inglês: antidiuretic hormone). O ADH é liberado pela hipófise, uma glândula do sistema endócrino. O hormônio atua nos dutos que deixam os néfrons, favorecendo a reabsorção e, assim, aumentando a quantidade de líquido que retorna ao sangue. Portanto, o resultado é a formação de uma urina mais concentrada. Quando a concentração de líquidos no sangue volta ao normal, a liberação de ADH é inibida e a urina se torna mais diluída.

Problemas do sistema urinário

Existem diversas disfunções ou doenças que afetam os órgãos do sistema urinário. Entre elas, podemos citar a incontinência urinária, a cistite, os cálculos renais e a nefrite.
A incontinência urinária atinge principalmente as mulheres e sua incidência aumenta com a idade. Existem diversos tipos de incontinência, mas, de maneira geral, o problema é caracterizado pela eliminação involuntária de urina através da uretra.
Existem diversas causas para a incontinência urinária, tais como comprometimento da musculatura que controla a micção, inflamações no sistema urinário e doenças que comprimem a bexiga. O tratamento varia de acordo com a causa que provoca a incontinência.
Cistite é o nome dado ao processo de inflamação ou infecção da bexiga, geralmente provocado por bactérias. Alguns dos sintomas da cistite são: aumento da frequência de micção, dor ou ardência ao urinar, febre e dores na região da bexiga. O tratamento é realizado através da administração de antibióticos, receitados de acordo com o tipo de bactéria infectante.
Durante os processos de filtração e reabsorção do sistema urinário pode ocorrer a formação de pequenos cristais de sais minerais e outras substâncias. Dependendo do tamanho dos cristais e de características individuais do organismo, estes podem passar despercebidos ou provocar uma doença conhecida como cálculo renal. No segundo caso, a pessoa sente fortes dores na região dos rins e muita dor ao urinar. Dependendo do tamanho do cálculo, ele pode ser eliminado naturalmente com a urina, ou pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para a sua remoção.
A nefrite é uma inflamação nos néfrons que provoca lesões nos glomérulos de Malpighi. Existem dois tipos principais de nefrite: a aguda e a crônica.
A nefrite aguda pode ser causada por alguns vírus ou bactérias. A forma crônica pode ser uma evolução da nefrite aguda ou pode ser uma doença autoimune. No caso da nefrite autoimune, as células do sistema imunológico não reconhecem os glomérulos e passam a atacá-los, provocando as lesões. Retenção de líquidos e aumento da pressão arterial são alguns dos sintomas dessa doença.
Devido ao mau funcionamento dos néfrons, o sangue não é filtrado de maneira apropriada e substâncias tóxicas começam a se acumular no organismo. Em casos muito graves é necessário realizar hemodiálise. A hemodiálise é um procedimento no qual uma máquina realiza a filtração do sangue, ou seja, realiza a função dos rins, desintoxicando o organismo.
Alice Dantas Brites é professora de biologia.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/sistema-urinario-conjunto-de-orgaos-filtra-o-sangue-e-elimina-toxinas.htm

Artrópodes: Filo representa 80% do Reino Animal

Com mais de 1 milhão de espécies descritas, os artrópodes representam 80% doReino Animal e, por isso, são os verdadeiros “donos” da Terra. As adaptações evolutivas do filo Arthropoda (arthron = articulação/ podos = pés) permitem que suas várias espécies habitem as profundezas dos oceanos, os picos das mais altas montanhas, desertos, oceanos, lagos e rios, ou seja, toda a sorte de ambientes.                                                                        
Além disso, apresentam diversidade de tamanho, formas e hábitos de vida. Por exemplo, o microscópico Sarcoptes scabiei, ácaro causador da escabiose, mede cerca de 0,4 milímetro. Já o Macrocheira kaempferi, o caranguejo-aranha gigante, chega a atingir 4 metros com as patas esticadas e a pesar 20 quilos – é o maior artrópode que se conhece.
Acredita-se que durante a Era Pré-Cambriana, há mais ou menos 600 milhões de anos, ocorreu uma “artropodização” da vida animal a partir de ancestrais vermiformes. Esse fenômeno gerou inúmeros tipos de artrópodes, atualmente extintos, como os trilobitas. Os espécimes remanescentes foram reunidos em um único filo, o qual se divide em três subfilos: ChelicerataMandibulada, ePentastomida.
Dentro desses grupos existem várias classes, porém destacam-se as de maior importância (médica e econômica): a Arachnida (escorpiões, aranhas, carrapatos), por exemplo, pertence ao Chelicerata; as classes InsectaCrustacea, Chilopoda eDiplopoda ficam inseridas no subfilo Mandibulada.
Os invertebrados pentastomídeos são um grupo de artrópodes vermiformes bem diferentes de seus irmãos. Os Pentastomida não possuem antenas nem patas, exceto na fase de larva e, geralmente, os adultos parasitam pulmões e fossas nasais de mamíferos carnívoros e répteis.

Características Gerais

Apesar do grande número de espécies dentro desse filo, todos os Arthropodacompartilham características distintivas, ou seja, que os diferencia de todos os outros grupos de animais. Em vez de uma estrutura interna de sustentação, esses invertebrados possuem esqueleto externo, como se fosse uma armadura, denominado exoesqueleto ou cutícula.
Secretada pela epiderme, a cutícula é flexível e mole quando recente; após algum tempo, ela se enrijece por causa da presença da quitina. Nas articulações, em que não ocorre o endurecimento, há ausência de quitina e, no seu lugar, entra outra substância: a resilina, que é elástica. Uma das importantes funções da cutícula, além da sustentação, é evitar a perda de água para o ambiente externo. Os apêndices locomotores ou alimentares dos artrópodes são articulados e dispostos aos pares. Mas, quando os artrópodes crescem, a “armadura” fica pequena e precisa ser trocada por outra maior e, assim, ocorrem mudas ou ecdises.
Todos os artrópodes apresentam regiões corporais chamadas tagmos. Por exemplo, o corpo das abelhas é dividido em três tagmos: cabeça, tórax e abdome. Em alguns casos, pode haver a fusão entre duas dessas regiões, formando, por exemplo, o cefalotórax. Esse fenômeno se chama tagmose.
Os olhos desses invertebrados podem ser do tipo simples ou composto, dependendo da espécie. O primeiro, também chamado “ocelo”, distingue luz e sombra, porém não forma imagens. Já os olhos compostos são formados por um conjunto de omatídeos, que possuem uma córnea, retina e um cristalino cada. A acuidade visual de artrópodes que possuem olhos compostos, como insetos e crustáceos, depende do números de omatídeos: quanto mais omatídeos, maior a definição da imagem. A libélula, por exemplo, enxerga muito bem com cerca de 10 mil omatídeos.

Aliados e inimigos

A metade de todos os seres vivos de nosso planeta pertence ao filo Arthropoda, o que lhes confere uma forte importância ecológica em todos os grandes ecossistemas atuais. Se, por algum motivo, essas criaturas deixassem de existir, a vida multicelular da Terra entraria em colapso. Os artrópodes são fonte de alimento direto para muitos anfíbios, peixes, mamíferosaves e répteis.
Vários desses invertebrados têm papel relevante para a vida de diversas espécies vegetais, especialmente os da ordem Hymenoptera – abelhas, vespas e formigas. Enquanto abelhas e borboletas são polinizadoras, certas formigas estabelecem uma relação mutualística com determinadas plantas.
A formiga Pseudomyrmex ferruginea, por exemplo, vive na acácia-de-chifre-de-búfalo (Acacia cornigera)e sua presença é imprescindível para a sobrevivência dessa árvore. Em troca de abrigo e alimento, a P. ferruginea defende toda a planta de pragas animais e ervas parasitas. Os invasores de uma acácia habitada por essas formigas são vorazmente atacados.
O ser humano também se beneficia de algumas espécies de artrópodes em diversas situações. Em lavouras, são utilizados no controle ecológico de pragas. Na entomologia forense, ajudam os cientistas a descobrir informações úteis para uma investigação criminal. Mais ainda, os crustáceos são uma importante fonte de alimento para as pessoas e movimentam parte da economia mundial.
Se por um lado existem artrópodes benéficos a diversos seres vivos, também há, no filo Arthropoda, criaturas que os prejudicam. Muitas delas, inclusive, causam a morte de vegetais, seres humanos e outros animais. Por exemplo, os maiores inimigos da humanidade são membros da família Culicidae, os mosquitos. Algumas espécies desses insetos dípteros (que possuem duas asas) são vetores de doenças como a malária e a dengue.
Apesar de a maior parte das espécies de culicídeos não ser considerada perigosa para o ser humano, qualquer mosquito pode transmitir o berne: a Dermatobia hominis, ou mosca varejeira, desenvolveu uma técnica para inserir seus ovos em vertebrados, de modo que ela agarra, em pleno voo, uma fêmea de mosquito (pois são hematófagas) e literalmente cola seus ovos no abdome do culicídeo. Ao picar um humano, por exemplo, o calor da pele faz os ovos desgrudarem do mosquito e penetrarem na ferida.
Os aracnídeos carrapatos e ácaros são tão nocivos à saúde humana que ganham importância médica. E, claro, existem os artrópodes letais, como algumas espécies de escorpiões, aranhas e lacraias. Por essas razões, os artrópodes são nossos maiores aliados – e também, inimigos.
Mariana Aprile é bacharel em biologia e educadora ambiental.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/artropodes-filo-representa-80-do-reino-animal.htm

Ácaros: Microaracnídeos presentes em todos os grandes ecossistemas

Um ácaro rajado ("Aceria anthocoptes"), amplificado 1.400 vezes. Os ácaros, animais da classe dos Aracnídeos, são os mais abundantes da espécie e estão presentes em todos os ecossistemas.
  • Um ácaro rajado ("Aceria anthocoptes"), amplificado 1.400 vezes. Os ácaros, animais da classe dos Aracnídeos, são os mais abundantes da espécie e estão presentes em todos os ecossistemas.
Se houvesse uma “zoolimpíada” na natureza, os ácaros ganhariam medalha de prata, por serem o segundo grupo animal mais diverso da Terra — eles só perderiam para os insetos. Todos os grandes ecossistemas possuem membros da subclasse Acari, a qual se compõe de ácaros e carrapatos.
A maioria dos ácaros não possui olhos e, tipicamente, o corpo destes microaracnídeos é formado por estruturas chamadas idiossoma (porção anterior) e gnatossoma (parte anterior, onde fica a boca). Como todos os membros da classeArachnida, não possuem antenas nem mandíbula.
Em relação ao tamanho, os ácaros podem ser microscópicos ou milimétricos (geralmente, de 0,25 a 0,75 milímetro). Essa característica lhes permite ocupar uma variedade incrível de hábitats e ter distintos hábitos de vida: podemos encontrar ácaros de vida livre, aquáticos, terrestres, parasitas, fitófagos (que se alimentam de plantas) e predadores (que obtém energia de outros ácaros, seus ovos e larvas de insetos).

Ciclo biológico

De modo geral, o ciclo de vida dos ácaros envolve as fases de ovo, larva hexápoda (de seis pernas), ninfa octópoda (de oito pernas), e adulto, nessa ordem. Existem casos em que a fase de ninfa possui diversos estágios, antes do animal atingir a maturidade — que ocorre, em média, após sete dias.

Diversos habitats

Os ácaros formam o grupo mais diverso e abundante dentre todos os aracnídeos. Mas devido ao seu tamanho, raramente podemos vê-los. Até hoje, mais de 30 mil espécies já foram descritas e, os cientistas acreditam que esse número chegue a 100 mil ou mais. O tamanho desses animais permite que eles vivam em microambientes muito diferentes, da base das penas de uma ave até os folículos pilosos de mamíferos.
A espécie Demodex folliculorum, por exemplo, é um ácaro cujas dimensões atingem 0,4 milímetro de comprimento, de formato vermiforme e que vive em nossa pele, nos folículos pilosos (onde nascem os pelos) e glândulas sebáceas. Pessoas que têm pele oleosa e as que fazem uso de maquiagem pesada carregam na pele maior quantidade desses animais. De qualquer maneira, todos os seres humanos adultos têm, infiltrados na pele, alguns desses aracnídeos alimentando-se de células de pele.
Quando vários ácaros Demodex folliculorum ocupam um mesmo folículo piloso, pode haver uma pequena inflamação acompanhada de coceiras — se o “bichinho” estiver em um cílio, o pelo sai com muita facilidade. Por mais produtos que se utilize para ter uma “pele limpa”, sempre haverá um ou outro ácaro desse tipo, no rosto de uma pessoa adulta. O melhor a fazer é manter uma boa higiene e fingir que eles não estão lá. Além disso, a quantidade de ácaros em nossas camas é infinitamente maior — nunca dormimos sozinhos.

Uma cidade em um colchão

Segundo dados do IBGE, a cidade de Araraquara possuía pouco mais de 200 mil habitantes, em 2009. Agora, imagine o mesmo número de indivíduos contidos dentro de um colchão — de acordo com dois estudos realizados por pesquisadores da Unicamp em 2003, em cada grama de poeira foram encontrados 40 mil ácaros, em sofás e, especialmente em colchões. Isso quer dizer que cinco gramas de poeira podem abrigar 200 mil desses animais.
De acordo com o médico Celso Henrique de Oliveira, autor de um desses trabalhos, 100 ácaros por grama de poeira já são suficientes para desencadear uma reação alérgica em uma pessoa. Análises científicas também comprovaram que, após 6 ou 8 anos de uso, 10% do peso de um travesseiro se devem à quantidade de ácaros e seus detritos (fezes e ácaros mortos).
Essas concentrações acarídeas são, inclusive, diagnosticadas como poluição ambiental de natureza biológica, já que a definição de meio ambiente inclui o lugar onde vivemos. Em uma matéria divulgada no jornal da Unicamp, em 2003, a bióloga Raquel Binotti, disse que são as fezes e as carcaças desses animais que causam as alergias.
Os ácaros que vivem nos colchões alimentam-se de partículas de pele humana, que resultam da descamação natural do corpo e, o lugar onde dormimos é o ambiente perfeito para eles: quente, úmido e escuro. Acredita-se que um grama de pele humana alimente cerca de um milhão de ácaros. Quanto à reprodução, uma fêmea da espécie Dermatophagoides pteronyssinus pode colocar 200 ovos durante sua vida — que atinge 100 dias.

Importância médica e veterinária

Além de serem responsáveis por desencadear reações alérgicas nas pessoas, existem outros ácaros como o Sarcoptes scabiei, responsável pela escabiose (sarna), a qual ocorre em todos os animais mamíferos domésticos e no ser humano. O tamanho do Sarcoptes scabiei varia entre 0,2 a 0,4 milímetro e algumas dezenas desse animal podem originar mais ou menos um milhão de novos ácaros.
Os Sarcoptes scabiei demoram de um a dois meses para porem seus ovos no hospedeiro e, após esse período leva três dias para nascerem as larvas. Então, após mais três dias elas se transformam em ninfas e, assim permanecem por oito dias. Em seguida, essas criaturas se tornam adultos e após dois dias já estão prontos para se reproduzir.
Quando um mamífero está infestado pelo Sarcoptes scabiei, leva de 15 a 17 dias para a escabiose se manifestar. A aparência terrível dessa doença se deve às galerias e túneis que os ácaros adultos “cavam” na epiderme, deixando em seu caminho um rastro de fezes e ovos. Isso ocasiona reações inflamatórias, prurido, fortes coceiras e grandes feridas. A única forma de cura é com tratamento médico ou veterinário, dependendo do indivíduo doente.

Importância ecológica e econômica

Existem ácaros que são especialistas em atacar plantas (fitófagos) e, mais ou menos 30 espécies causam grandes prejuízos por danificar culturas comerciais. Mas dentro desse grupo de animais, existem aqueles que ajudam os agricultores a salvar suas plantações, tanto de seus irmãos acarinos como de fungos e insetos daninhos.
Por exemplo, as moscas da família Sciaricidae, prejudicam a produção de cogumelos. A dificuldade em lidar com esse problema é que faltam produtos químicos devidamente registrados para exterminá-las. Mas graças aos ácaros predadores da família Laelapidae, existe a possibilidade de se fazer o controle biológico desses insetos.
Então, por mais que inúmeras espécies acarídeas sejam indesejadas por nós, seres humanos, existem outras que podem ser usadas ao nosso favor, já que atuam como inimigos naturais de pragas agrícolas. O mais interessante é que os ácaros utilizados para o controle biológico são específicos: eles atacam apenas aquele determinado tipo de praga.
Também, no grupo dos ácaros “comedores de plantas”, podemos encontrar os que atacam ervas daninhas: os grupos principais são os ácaros das famíliasTetranychidae, Eriophyidae Galumnidae. A vantagem de usar essa técnica de controle, é que em uma plantação de rosas infestada por ervas daninhas, por exemplo, pode-se eliminar apenas os vegetais indesejados com a segurança de não prejudicar as rosas.
Já os acarídeos da subordem Oribatida, são responsáveis por decompor matéria orgânica, principalmente em florestas. Assim, a relevância dos ácaros na ecologia é indiscutível.
Mariana Aprile é bacharel em biologia e educadora ambiental.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/acaros-microaracnideos-presentes-em-todos-os-grandes-ecossistemas.htm

Caranguejeiras: Maiores aranhas da terra provocam medo e admiração

A Caranguejeira-rosa-salmão-brasileira ("Lasiodora parahybana") pode atingir 20 cm de comprimento e pesar 100 gramas. As caranguejeiras são as maiores aranhas que existem, compreendendo cerca de 900 espécies.
  • A Caranguejeira-rosa-salmão-brasileira ("Lasiodora parahybana") pode atingir 20 cm de comprimento e pesar 100 gramas. As caranguejeiras são as maiores aranhas que existem, compreendendo cerca de 900 espécies.
Se você pensar em animais como o tubarão branco, a cascavel, a harpia, ou omorcego, provavelmente sentirá medo e admiração. Essas criaturas são envoltas em mitos, lendas e histórias fantásticas – em sua maioria, são rotuladas como assassinas ávidas por sangue humano, ou como monstros que vêm se alimentar de crianças indefesas. E não é diferente com as aranhas caranguejeiras.
Em filmes de terror, tais artrópodes são imensos e voam no rosto das pessoas, matam-nas, enrolam-nas em teias gigantes e se alimentam delas. Felizmente, isso passa muito longe da realidade. Foi o fato de esses animais serem as maiores aranhas da Terra que lhes rendeu esse tipo de fama.
Mas nem sempre foi assim. No deserto de Nazca, no Peru, há representações de arte pré-colombiana, datadas de 300 anos depois de Cristo, e, uma delas é a figura de uma aranha de 50 metros de comprimento esculpida no solo. Outro povo antigo, os etruscos, que habitaram a península onde hoje localiza-se a Itália, também veneravam esses aracnídeos.

As comedoras de pássaros

As caranguejeiras são as maiores aranhas que existem, compreendendo cerca de 900 espécies. Desse total, 300 são brasileiras e se dividem em 11 famílias, das quais dez vivem na Amazônia. Mas é na família Theraphosidae que podemos encontrar as duas maiores aranhas do mundo: a Theraphosa apophysis, da Venezuela, e sua irmã a Theraphosa blondi.
A primeira, pode chegar ao diâmetro de 28 centímetros, de pernas esticadas, — um pouco maior do que um prato de refeição. Já a comedora de pássaros, como é conhecida a Theraphosa blondi, tem o abdômen do tamanho de uma bola de tênis e pesa 125 gramas. Além disso, suas quelíceras, que são as “presas” da caranguejeira, podem facilmente medir dois centímetros de comprimento.
Rick West, considerado o mais importante aracnólogo do mundo, disse, em entrevista exclusiva para este artigo, que essas duas espécies apresentam as mesmas medidas de tamanho, porém a brasileira é mais pesada. Segundo o especialista, “as caranguejeiras são, de modo geral, tímidas e evitam o ser humano, apesar de poderem ser, eventualmente, agressivas”.
Na dieta dessas aranhas é comum encontrar pequenos morcegos, lagartos, camundongos, insetos grandes, e aves de pequeno porte — daí a justificativa do título de comedora de pássaros.

Aranhas de 25 anos

Nas caranguejeiras, o movimento das quelíceras é de cima para baixo, como um furador de papel: são denominadas Orthognathas. Além disso, possuem dois pares de pulmões e as glândulas de veneno ficam totalmente dentro do segmento das quelíceras, diferente das Araneomorphae, nas quais as quelíceras movimentam-se de lado, como uma pinça (Labdognathas), e, cujas glândulas ocupam parte do prossoma (região da zona cefálica e toráxica), além de possuírem apenas um par de pulmões.
Outra curiosidade a respeito das caranguejeiras é que as fêmeas vivem cerca de 25 anos, dependendo da espécie e, enquanto outras aranhas param de realizar ecdise (que é a troca do exoesqueleto) na idade adulta, as migalomorfas fêmeas continuam a trocar de “pele” uma vez ao ano, em intervalos irregulares.

Tarântulas

Da mesma forma que outras aranhas da família Theraphosidae, a caranguejeira também é conhecida como tarântula, principalmente na cultura popular. Esse hábito, considerado um erro, tem sua origem na Idade Média: no século XIV, nas proximidades da cidade de Taranto, na Itália, houve uma epidemia de acidentes com Lycosa tarentula, a aranha-lobo.
As vítimas da picada apresentavam dor intensa, sudorese, espasmos musculares, palpitações e náuseas. Dizia-se que essas pessoas sofriam de “tarantismo”. Segundo o folclore local, o único tratamento eficaz contra os acidentes com essa aranha era uma dança, conhecida como tarantela — que deveria ser prolongada até que o suor molhasse o corpo.
Atualmente, os aracnídeos do gênero Latrodectus, que são as viúvas-negras, são considerados as verdadeiras tarântulas. O araneísmo (termo que designa acidentes causados por aranhas) por viúvas-negras pode causar a morte de vítimas humanas e animais de estimação. Mas esse não é o caso das caranguejeiras. Seu veneno, em geral, não tem efeito letal em gente, especialmente na América do Sul.

O veneno

Segundo a Organização Mundial de Saúde, quatro gêneros de aranhas apresentam espécies perigosas ao ser humano e, dentre eles, apenas um da subordemMygalomorphae (caranguejeiras): o gênero Atrax, nativo da Austrália. Apesar de o Brasil possuir a maior diversidade de espécies de caranguejeiras do mundo, não há registros de acidentes humanos graves.
De acordo com registros do Instituto Vital Brasil, é comum as pessoas confundirem picadas de outros artrópodes com as das aranhas. Muitas vezes, o paciente não viu o que o mordeu e atribui os sintomas à picadas de caranguejeiras. Mas estudos realizados por pesquisadores dessa instituição revelaram que essas aranhas eram responsáveis por apenas 1% do total de araneísmos. Vale lembrar que a maioria dos acidentes com as migalomorfas ocorre porque a pessoa tentou pegar o animal.
Uma vítima de picada de caranguejeira pode sentir dor local moderada ou severa, forte coceira, edema, inchaço, eritema (vermelhidão na pele), ardência e até cãibras. Em casos muito graves a pessoa pode apresentar espasmos musculares fortes por várias horas: apesar de não ser letal, a picada de uma aranha migalomorfa traz experiências bem desagradáveis.
A dor causada pela picada se deve à perfuração da pele pelas quelíceras, ao baixo pH do veneno e às toxinas presentes nele, além de fluídos digestivos (enzimas) e ATP (Adenosina Trifosfato). Esse último componente torna o veneno mais potente, de acordo com pesquisas recentes, realizadas no exterior.
São poucos os cientistas que se interessam pelo veneno das caranguejeiras. Por isso, aos poucos, descobertas incríveis estão sendo feitas. Por exemplo, atualmente, existem pesquisas sobre a aplicação de venenos de caranguejeiras como bioinseticidas — já que os inseticidas químicos têm resultado em populações de insetos cada vez mais resistentes.

Cerdas urticantes

Apesar de as caranguejeiras causarem medo em muita gente, existem pessoas fascinadas por esses aracnídeos. Tanto, que gostam de tê-los como animais de estimação. É aí que mora o perigo, pois o risco de acidente é bem maior, especialmente para quem gosta de manuseá-las. Isso porque antes de desferir uma picada, as caranguejeiras usam uma arma bem mais eficiente, no sentido de afastar um possível agressor: as cerdas urticantes.
Uma caranguejeira, ao sentir-se ameaçada, esfrega suas pernas traseiras no abdômen, liberando esses “pelinhos”, que podem atingir os olhos e, também, entrar nas vias respiratórias do indivíduo que resolve manuseá-la. E as cerdas urticantes desse gênero de caranguejeira fazem um belo estrago, principalmente se a pessoa em questão tiver rinite ou algum tipo de alergia.
Essas estruturas podem penetrar em várias camadas da pele e do tecido ocular, causando sérias irritações. A morfologia das cerdas urticantes varia do tipo I ao IV. O primeiro tipo não penetra na pele, mas o terceiro entra numa profundidade de 2 milímetros, resultando em inflamações dermatológicas.
Um mamífero de pequeno porte (como rato, coelho etc) exposto às cerdas urticantes de uma Grammastola, por exemplo, pode sufocar em duas horas.

Caranguejeiras de luxo

Imagine uma aranha caranguejeira de cor azul bem vivo, com manchas claras no abdômen e no cefalotórax, formando desenhos, e com as articulações das pernas com pinceladas brancas, contrastando com o azul. Essa é uma das migalomorfas mais cobiçada por colecionadores e criadores desses aracnídeos, chamada Poecilotheria metallica.
Existem muitos outros exemplares maravilhosos, que parecem ter sido pintados à mão. A Hapalopus sp. exibe uma coloração de vermelho fogo, com o abdômen desenhado em preto; a Avicularia juruensis, tem um aspecto orvalhado em seu corpo rico em cerdas, e seus pés lembram sapatinhos cor-de-rosa.
Essas caranguejeiras, por exibirem belezas tão singulares, são vítimas de exploração no mercado negro. Muitas delas, inclusive, ainda nem foram descritas ou estudadas, como foi o caso da Avicularia diversipes. Ao estudar essa espécie, Rogério Bertani, pesquisador do Instituto Butantan, vinculado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, descobriu que antes de seu estudo pioneiro terminar, o comércio ilegal dessa caranguejeira arborícola nativa da Mata Atlântica, já se espalhava por oito países da Europa.
O pior é que nem há como os órgãos de fiscalização exercerem seu trabalho, uma vez que falta identificar e estudar várias espécies. Segundo esse pesquisador, a espécie descoberta por ele, já está ameaçada de extinção.
Mariana Aprile é bacharel em biologia e educadora ambiental.
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/caranguejeiras-maiores-aranhas-da-terra-provocam-medo-e-admiracao.htm